quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Dois peixes...

Dois corações
Dois peixes
Que vivem uma unidade
Sentido real da vida a dois
Dois amores de verdade

Dois peixes
Que fora d'água se encontraram
E agora
Respiram amor

Mar abundante
Que inunda os sentidos
Uma doce liberdade
Entre mulher e marido

Basta um olhar
Para vislumbrar
Uma realidade só nossa

Onde um começa e o outro termina
Compreensão e empatia
Pra curar cicatrizes dolorosas

Dois corações sem medo
De percorrer os segredos
De uma mágica descoberta

Dois peixes em busca
De viajarem todo dia
Um ao lado do outro
Nos mares dessa vida

Me ensina a nadar
Que de medo
Não me atrevo

Me leva com você
Até o infinito nascer
Com os primeiros raios de Sol

Dentro do meu peito
Um cardume
Cada peixe é um beijo

Vamos mergulhar
Nessa transcendente atmosfera
Porque somos peixes
Que não esperam
Por correntes ou marés
Fazemos nossos caminhos
Nadando de role

Porque somos feitos
De mudanças
Que nos transporta para o bem
E nos tiram das profundezas
Nosso amor
É a mais pura e sublime
Manifestação da natureza



                                              Diana Paiva

Seus olhos azuis.

Seus olhos azuis
Quase não me reconhecem mais
Sua voz tão baixa
Ainda tem o mesmo deboche
Nem mesmo sentindo dores
Perdes seu bom humor

Sua face mostra
Seus 84 anos de histórias
Onde em alguns deles
Fazendo parte suas rodas

Lembro-me de teu cigarro
De teu fumo de rolo
Sendo apertado
Suas unhas amareladas
De nicotina
Sempre jogando
E bebendo seus drinks
De olhos nas saias das meninas

Tua imagem representa
Meu pai, meus tios
Os dias que brinquei no seu quintal
Fizestes de minha infância
Uma roda de ciranda
Frutas no pé
Água de poço
Biscoito de sal

Bananinhas no almoço
Programa na rádio
Matinal

Teu jeito malandro
Faceiro
Jeito de quem sabe o que diz
Os filhos de dona Raimunda
Mulher que te fez feliz

Quem é você que me encanta
Depois de anos de distância
É teu sangue que corre no meu
A benção vovô, fique com Deus.


                                                    Diana Paiva

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Tempo!

O tempo é um tormento
Quando falta
É um tédio
Quando sobra
Um instante
Quando acorda
Uma semana
Quando drama
Uma pausa
Quando cama

O tempo é sombrio
Sem ideias
É um peralta
Tempo alegre
Uma eternidade
Quando trabalha
Um alívio
Quando dá tempo

Quanto tempo se tem
Em tempos de tempestade?
Como leva tempo
Os tempos de saudade

Se o tempo for ligeiro
Não entre em desespero
Há tempo pra toda idade
Não há tempo na cidade

Não tem tempo pra isso
Não tem tempo pra aquilo
Todo tempo é divindade

O tempo é
O que acha que deve ser
A hora que quiser

Só o tempo pra resolver
Quanto tempo
O tempo será
Só o tempo pra decidir
Quando o tempo irá parar

                                               Diana Paiva

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Crítica do julgamento!

Da Critica da Faculdade
De um certo Juízo determinado
Transcendemos as barreiras
Da experiência
Mediante a faculdade
Da imaginação

Ideias estéticas
Em forma de poesia
Esgotam a linguagem
Mostram-se em sua inteira medida

Buscam o inalcançável
Faculdade do improvável
Que de maneira ilimitada
Jamais deixa compreender-se
Em um conceito determinado

Porque conceito algum
Seria capaz
De descrever o que a mente
Sensibiliza através da intuição

O gênio opõe-se
Ao espírito de imitação
Pois ele é aquele
Que a natureza dotou
Para a bela arte

A bela arte por sua vez é
Expressão de liberdade
Que põe a razão
Como fundamento de sua ação

E assim percebemos
Que o juízo de gosto
Não é um juízo de conhecimento
Onde não o dizemos ser belo
Pelo o que ele representa
Enquanto objeto
Mas sim pelo o que o sujeito sente
Com prazer ou desprazer
Puramente estético e subjetivo
Dele apraz aquilo que faz sentido
Para quem o analisa
Com a faculdade do juízo...


                                                           Diana Paiva